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A Cotovia e os Sapos

(Adaptação livre de uma fábula chinesa)
Era uma vez uma sociedade de sapos que vivia no fundo de um poço escuro e profundo, do qual absolutamente nada se via do mundo exterior. Eram governados por um enorme Sapo-Chefe, um valentão que afirmava, sob pretextos um tanto dúbios, ser dono do poço e de tudo quanto nele saltava ou rastejava. O Sapo-Chefe jamais movia uma palha para se alimentar ou se manter, vivendo do trabalho de diversos sapos trabalhadores com os quais ele compartilhava o poço. Essas pobres criaturas passavam todas as horas de seus dias escuros e muitas de suas noites tenebrosas a se matar na umidade e no lodo para encontrar os vermes e os insetos que engordavam o Sapo-Chefe.
De vez em quando, uma cotovia excêntrica voava para dentro do poço (sabe Deus por quê!) e contava para os sapos as maravilhas que vira em suas viagens pelo imenso mundo lá fora. Falava do sol, da lua e das estrelas, das montanhas altaneiras, dos vales férteis e dos vastos mares, e ainda da delícia de explorar o espaço infinito.
Sempre que a cotovia chegava de visita, o Sapo-Chefe recomendava aos sapos trabalhadores que escutassem atentamente tudo o que o pássaro tinha para contar. “Ela lhes está falando”, explicava o Sapo-Chefe (que, de qualquer modo, era meio surdo e nunca sabia direito o que a cotovia estava dizendo; achava aquela ave esquisita e inteiramente maluca), “da terra feliz para onde vão todos os sapos bons...”
É possível que um dia os sapos trabalhadores se houvesses imbuído daquilo que o Sapo-
Chefe lhes dizia. Com o tempo, porém, haviam se tornado céticos em relação aos contos da carocinha e chegado à conclusão de que aquela cotovia tinha um parafuso a menos. Além disso, haviam sido convencidos por alguns sapos livre-pensadores de que aquele pássaro estava sendo usado pelo Sapo-Chefe para consolá-los e distraí-los com histórias das maravilhas que existem no céu para os que morrem. “E isso é mentira!”, coaxavam furiosamente os sapos trabalhadores.
Entretanto, havia entre eles um Sapo-Filósofo que formulara uma idéia nova e interessante a respeito da cotovia. “O que a cotovia diz não é exatamente uma mentira”, dizia ele. “Nem é loucura. Na verdade, ao falar dessa maneira esquisita, ela está se referindo ao lugar maravilhoso em que poderíamos transformar esse poço, se quiséssemos. Quando fala do sol e da lua, está se referindo às magníficas formas de iluminação moderna que poderíamos adotar para afugentar as trevas em que vivemos. Quando canta os céus altos, refere-se à saudável ventilação de que devíamos gozar, ao invés dos ares úmidos e fétidos a que nos acostumamos. Quando louva a embriaguez que vive ao lançar-se pelos céus, refere-se à delícia dos sentidos liberados que todos nós conheceríamos se não fôssemos obrigados a desperdiçar nossas vidas nesta labuta opressiva. E o que é mais importante: quando a cotovia enaltece o vôo altivo e
livre entre as estrelas, refere-se à liberdade que todos teremos quando nos livrarmos da opressão do Sapo-Chefe. Vêem? Não devemos desdenhar do pássaro. Em lugar disso, ele deve ser apreciado e louvado por nos proporcionar uma inspiração que nos livra do desespero.”
Graças ao Sapo-Filósofo, os sapos trabalhadores passaram a olhar a cotovia com afeição. Na verdade, quando chegou afinal a revolução (pois as revoluções sempre acabam vindo), os sapos trabalhadores até mesmo pintaram a imagem da cotovia em seus estandartes e marcharam para as barricadas fazendo o máximo que podiam para, com o seu coaxar, imitar-lhe o belo canto. Derrubado o Sapo-Chefe, o poço escuro e úmido tornou-se magnificamente iluminado e ventilado, transformando-se num lugar muito melhor para viver. Além disso, os sapos experimentaram um novo e gratificante lazer, acompanhado de muitas delícias dos sentidos – justamente como o Sapo-Filósofo havia previsto.
Entretanto, a cotovia continuou a visitar o poço, contando histórias do sol, da lua e das estrelas, de montanhas, vales e oceanos, e de esplêndidas aventuras que vivera nos céus. “Quem sabe – conjeturou o Sapo-Filósofo – se afinal de contas esse pássaro não seja mesmo louco? Já não temos necessidade alguma dessas canções enigmáticas. E, seja como for, é muito cansativo ter de escutar fantasias quando já perderam sua relevância social. Assim, um dia, os sapos conseguiram capturar a cotovia. Depois, empalharam-na e colocaram-na no recém-construído Museu Cívico (entrada gratuita...) em lugar de honra.

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Morre Wesley Duke Lee

Wesley Duke Lee <São Paulo, 21 de dezembro de 1931 - São Paulo, 12 de setembro de 2010> foi um pintor brasileiro. Neto de norte-americanos e portugueses, Wesley iniciou seus estudos no curso de desenho livre do MASP, em 1951. Estudou nos Estados Unidos até 1955, entrando em contato com a obra de Robert Rauschenberg e Jasper Johns. Voltando ao Brasil abandona a carreira publicitária e estuda pintura. Viaja a Paris, tendo aulas na Académie de la Grande Chaumière e o ateliê de Johnny Friedlaender. Voltando ao Brasil, em 1963, realiza um dos primeiros happenings do Brasil. Participou em 1966, da fundação do Grupo Rex, que perdurou até 1967. Morreu no domingo, dia 12 de setembro de 2010 aos 78 anos de idade.





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The Good, The Bad, The Weird

Uma demontração do cinema pós moderno... Um Faroeste chinês. Divertidissimo, comercial sem perder a qualidade e originalidade.

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Um filme Encantador

Grande vencedor de Cannes 2010. Toda vez que o vejo, lembro do livro "O Guia do Mochileiro das Galáxias". Mas é assim mesmo, coisas legais se conectam mesmo. Ótimo.

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"O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

    E os que lêem o que escreve,
    Na dor lida sentem bem,
    Não as duas que ele teve,
    Mas só a que eles não têm."

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Dia do Professor

Lembro de minhas professoras. Dona Sinhá, Tia Mirtes, Tia Filomena, e todas outras que me perdoem a falta de memória, não trago na cabeça, mas não me saem do coração.

Agradeço a todas (e o pouco todos) mestres, que contribuíram pra me fazer da maneira que fiquei. Talvez não tenha saído do jeito ideal, mas gosto muito desse formato final que me ajudaram a ter.

Espero algum dia poder distribuir conhecimento, como vocês me deram.

Obrigado

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...

... Trac!

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