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Bêbado, só Gênio



O Ébrio da Bebida pode acabar com os simples mortais, mas grandes descobertas, grandes obras e grandes gênios não podem ser identificados sem a presença desse líquido (ou não) do capeta. Citando o sábio Mussum: O álquis é o maior inimiguis do homem, mas homem que foge do inimiguis é covardis!



São muitas as lendas sobre grandes gênios que se atolavam no lamaçal da bebida. Desde os tempos mais remotos, nas terras mais distantes o ébrio se faz presente. Caravaggio, Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571 - 1610) foi um pintor Italiano atuante em Roma, Nápoles, Malta e Sicília, entre 1593 e 1610. É normalmente identificado como um artista Barroco, estilo do qual ele é o primeiro grande representante. Caravaggio era o nome da aldeia natal de sua família, que ele adotou como nome artístico. Ainda vivo, Caravaggio era considerado enigmático, fascinante e perigoso. Em 1606, mata um jovem durante uma briga e foge de Roma, com a cabeça a prêmio. Em Malta (1608) envolve-se em outra briga, e mais outra em Nápoles, pingaiada é foda. No ano seguinte, após uma carreira de pouco mais de uma década, Caravaggio estava morto, aos 38 anos.

Temos também os clássicos, que podem servir de exemplo, William S. Burroughs, William Seward Burroughs II (nascido em fevereiro de 1914, vivo até agosto de 1997) foi escritor, pintor (seu método de pintar era colocar um monte de latas de tinta sobre uma tela. Atirando nas latas, vazava tinta, e isso era a pintura) e crítico social nascido nos estados Unidos. Vindo de uma família proeminente, sua obra mais conhecida é Naked Lunch (Almoço Nu no Brasil), escrito no exílio em Tânger, após ter matado sua mulher com um tiro, alegando ter sido um acidente infeliz, brincando de Guilherme Tell. Grande parte de sua obra, de atmosfera fantástica e grotesca, tem caráter autobiográfico. Apesar de fazer parte da geração Beat, seus livros têm pouco em comum com o restante desses autores, já que a linguagem utilizada provém de fluxos de consciência durante o uso de alucinógenos. Homossexual depois da morte acidental da esposa causada por um disparo com arma de fogo. Foi um dos pioneiros da literatura experimental, tanto no universo léxico escatológico. Outro gênii literário que vale ser lembrado pelos porres é Charles Bukowski, Henry Charles Bukowski Jr (nascido em agosto de 1920, Alemanha, vivo até março de 1994, Los Angeles). Foi poeta, contista e romancista. Sua obra obscena e estilo coloquial, com descrições de trabalhos braçais, porres e relacionamentos baratos, fascinaram gerações de jovens à procura de uma obra com a qual pudessem se identificar. Tendo Ernest Hemingway e Fiódor Dostoiévski como principais influências (2 bêbassos desses como exemplo só podia dar num tremendo pau d’água literário mesmo). Com o escritor russo ele aprendeu: "Quem não quer matar seu pai"? Seu estilo de vida se resumia a mais ou menos isso: "Não sei quanto às outras pessoas, mas quando me abaixo para colocar os sapatos de manhã, penso, Deus Todo-Poderoso, o que mais agora?".

O Brasil também tem grandes referências, desde o fundador do Pasquim Jaguar, pseudônimo de Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, que só começa seu dia depois de ingerir uma dose dupla de whisky como café da manhã.

Noel Rosa, Noel de Medeiros Rosa (Rio de Janeiro, 1910 - 1937) teve vida curta, mas um exemplo de disciplina etílica. Foi sambista, cantor, compositor, bandolinista, violonista e um dos maiores e mais importantes artistas da música no Brasil. Teve contribuição fundamental na legitimação do samba de morro e no "asfalto". Resumindo Noel Rosa, certo dia um amigo o encontrou às 7 da manhã sentado a uma mesa de bar com uma copo de cerveja e outro de conhaque sobre a mesa. Indignado, o bom amigo recomendou que Noel, tuberculoso e frágil, se alimentasse bem, principalmente de manhã, para ter melhor saúde. Ora, muito inteligente, Noel o convenceu que um copo de cerveja tem os mesmos nutrientes de um prato de arroz e feijão. “Sim, mas e por que o conhaque?”, pergunta o inocente amigo “É que eu não consigo comer sem beber”, respondeu o mestre. Outro gênio quando em estado alterado foi Jânio Quadros, Jânio da Silva Quadros (Campo Grande, 25 de janeiro de 1917 — São Paulo, 16 de fevereiro de 1992) foi um político e o vigésimo segundo presidente do Brasil, quando indagado por que bebia: Bebo porque é liquido se fosse sólido come-lo ia. Retornando a citações de grandes mestres, fica essa; “Não leve a vidiss tão a sério, afinalzis ninguém sairá vivo dela!! Cacildiss!!”

Referências.: wikipedia

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Recicle seu Lixo e suas Idéias



Sou de Bauru, interior paulista, e gosto muito de minha cidade. Com bons olhos vejo o esforço da implantação da coleta seletiva no município e o trabalho da Cotramat (Cooperativa de Materiais Recicláveis) da Cidade. Implantaram lixeiras pelo centro da cidade e incentivaram o descarte correto e a reciclagem dos resíduos sólidos do município. Faço parte da ong ComVida que desenvolve projeto de educação ambiental pela cidade promovendo o correto descarte do OGR (Óleo vegetal e Gordura Residual). Fizemos uma campanha de divulgação sobre a importância de se manter a cidade limpa. E as águas também. Ponto para a consciência ecológica, para o bem comum e pela qualidade de vida de toda nossa população local. Essa ação que desenvolvemos na ong nos deixa esperançosos e felizes, porque encontramos muitos companheiros neste caminho.

Aproveitando isso, aproveito a deixa para falar um pouco mais na prática sobre um ponto importante a respeito do lixo que é a reciclagem. Nosso lixo é muito rico em materiais nobres como ferro, cobre, alumínio, vidro, mas infelizmente outros são jogados fora diariamente. Além disto, o papel e plástico que são descartados podem se transformar (reutilização) em novos produtos, reduzindo o corte de árvores e a utilização do petróleo. O aproveitamento do que jogamos fora não é mais um mero "fetiche" de ecologistas ou um meio de se manter a cidade mais limpa, é questão de sobrevivência pois os recursos que a natureza dispõe são FINITOS, o que significa que uma hora ou outra eles irão acabar!

As futuras minas de extração de material serão os atuais LIXÕES, pois durante muitos anos temos enterrado nossas riquezas que não nos servem mais para uma dada função, ou pelo fato de não conseguimos enxergar novas utilizações. Aquele vidro de requeijão que vira copo d´água é uma antiga prática de reciclagem, tão discriminada mas muito importante para nos darmos conta de que as coisas não perdem suas funções, elas apenas mudam de função.

Se passarmos a enxergar com estes olhos, veremos que as coisas simplesmente mudam de função e a palavra lixo deixará de existir em pouco tempo. Se hoje estamos começando a nos preocupar com a questão do lixo é porque ela já nos afeta a nos de maneira significativa e de modo ruim diga-se de passagem. Acredito que a questão do lixo é fundamental porque nossa sobrevivência está ameaçada por ela.

Mas o que é reciclagem, o que pode ser reciclado e o que pode se fazer na prática:

O que é a coleta seletiva?

A coleta seletiva é o processo de se separar os diversos materiais e encaminhá-los para os locais adequados aonde serão transformados novamente em produtos novos. Porém, para que a reciclagem seja um processo economicamente viável, é necessário toda uma infra-estrutura que vai desde os locais para a coleta até as industrias que farão o processo, apesar de em alguns casos não se necessitar obrigatoriamente de toda esta infra-estrutura. Empresários estão percebendo que a reciclagem é um ótimo negócio, principalmente econômico e infelizmente estão sendo uma ameaça aos projetos de cooperativas de recicláveis do Brasil.

Os códigos de cores dos recipientes.

Para separar o lixo em categorias de forma a organizar e facilitar a coleta, é utilizado um código de cores para cada recipiente que recebe um determinado material:

Amarelo: Identifica todo tipo de metal (ferro, alumínio, cobre, bronze, latão, zinco, ...). Citando alguns dos materiais que pertencem a esta classe: as latinhas de alumínio, tampas de lata, latas de óleo, conserva, sucata, peças de metal, utensílios domésticos, e outros;

Azul: Identifica todo tipo de papel. Alguns exemplos são jornais, revistas, papelão, caixas de embalagens, cadernos, cartolina ...;

Vermelho: Identifica todo tipo de plásticos. Alguns exemplos são potes, sacos, garrafas, tampas, plásticos duros, vários tipos de brinquedos ...;

Verde: Identifica todo tipo de vidro. Alguns exemplos são garrafas, frascos, potes, cacos e recipientes em geral.

Marrom: Identifica óleo vegetal e gordura pós-consumo.

Preto: Em muitos locais esta cor identifica o lixo orgânico, que nada mais é do que comida, restos de vegetais, plantas mortas, aparas de árvores, folhas e etc.

O que não pode ser reciclado (por enquanto).

Nem todo o lixo pode ser reciclado, pelo menos por enquanto. Estimativas dizem que cerca de 30% do lixo produzido no Brasil não é reciclável. Alguns exemplos de materiais que não podiam ser reciclados:

No escritório: Papel carbono, papel de fax, etiquetas e fitas adesivas, fotografias, papéis plastificados, grampos e clipes;

Na cozinha: copos de plástico descartáveis, papel parafinado e metalizado;

No banheiro: Fraldas descartáveis, papel higiênico e papel toalha;

Outros ambientes: Espelhos planos, louça, porcelanas, isopor, espumas, pneus, filtros de ar, cristais.

O que podemos fazer na prática.

A primeira coisa é termos a consciência do que consumimos. O que consumimos, por que consumimos, como consumimos e depois de usado como e pra onde descartamos, nos preocupando com os lixões e a limpeza de sua cidade e, além disto, com o futuro de todos nós. Mas não basta apenas termos consciência ou ficarmos indignados com a situação, é preciso agir efetivamente:

Participar da coleta seletiva, separando corretamente o lixo em suas categorias;

Entrar em contato com o garrafeiro, catador de papéis, sucateiro ou similar próximo de sua casa ou bairro (não imagina o quanto eles são importantes para o futuro ambiental de nossa cidade, sãos os saneadores de nosso município). Você pode tanto dar o material como vendê-lo, eu prefiro a doação que acaba valorizando o trabalho do catador, incluindo-o à sociedade economicamente ativa dentre outros ganhos. Mas não deixe de destinar corretamente seu material reciclável;

Muitas instituições de caridade aceitam doações de materiais recicláveis para arrecadar fundos com sua venda;

Participe de campanhas institucionais. Muitas vezes estas campanhas além de promoverem um bem estar humano e para a natureza, proporcionam o relacionamento com outras pessoas, novas amizades e a criação de novos grupos que tem o mesmo interesse. Nós da ONG ComVida sempre estamos a procura de novos integrantes;

Fomente em sua região, bairro, empresa, escola, comunidade, programas de coleta seletiva. Lembre-se que para isto deve ocorrer a sensibilização das pessoas para que possam compreender o porquê da reciclagem e desta maneira serem integradas e motivadas;

Procure iniciar um trabalho de coleta seletiva onde você percebeu que não existe.

Reaproveite e recicle em sua casa. Utilizando potes de vidro e embalagens plásticas para guardar objetos, alimentos (obviamente quando devidamente limpos e higienizados), fazendo artesanato; enfim, utilizando a criatividade. Você pode até mesmo ganhar um dinheirinho extra com a reciclagem.

Reciclem seu lixo e suas idéias também! Juntos somos muitos.


Referência:
Guia Ecológico Doméstico, de Maurício Waldman e Dan Schneider - Editora Contexto, 2000


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Lula. É o cara



Presidente...
Lula consegue mais do que simplesmente falar com a população brasileira (sempre achei essa definição meio elitista, me considero parte do povo, do grande povo brasileiro).
Se faz entender não apenas pela oratória, mas com um jeito descontraído e direto, típico nos grandes líderes, atinge em cheio o coração de seus ouvintes. Mais do que se comunicar com pessoas, eleitorado ou classes, dissemina a idéia de que todos fazemos parte da mesma coisa, estamos todos juntos nessa aventura de criar algo novo para um país novo, do novo mundo, que tem uma democracia nova. Não precisamos de modelos e podemos acreditar que temos todas as chances em nossas mãos de mostrar que podemos desenvolver de maneira diferente. Podemos fazer mais e melhor, mas sem seguir velhas idéias que sempre se mostram ineficazes. Chegou o momento de sermos sábios e aprender com os erros dos outros. E sobre o discurso do presidente... Salve Lula, .

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Banksy



Biografia
Nascido em Bristol, Inglaterra, Banksy iniciou cedo sua carreira. Aos 14 anos foi expulso da escola e preso por pequenos delitos. Sua identidade é incerta, não costuma dar entrevistas e fez da contravenção uma constante em seu trabalho, sempre provocativo. É um ativista declarado, e uma das principais marcas de seu trabalho é a criação de pequenas intervenções que geram grandes repercussões. Os pais dele não sabem da fama do filho: "Eles pensam que sou um decorador e pintor", declarou. Recentemente, ele trocou 500 CDs da cantora Paris Hilton por cópias adulteradas em lojas de Londres, e colocou no parque de diversões Disney uma estátua-réplica de um prisioneiro de Guantánamo.

Obras
Suas obras são carregadas de conteúdo social expondo claramente uma total aversão aos conceitos de autoridade e poder. Em telas e murais faz suas críticas, normalmente sociais, mas também comportamentais e políticas, de forma agressiva e sarcástica, provocando em seus observadores, quase sempre, uma sensação de concordância e de identidade. Apesar de não fazer caricaturas ou obras humorísticas, não raro, a primeira reação de um observador frente a uma de suas obras será o riso. Espontâneo, involuntário e sincero, assim como suas obras.
fonte: Wikipédia

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Recuse Sacolas Descartáveis



Thays Prado 18 de agosto de 2010

No Ano Internacional da Biodiversidade e com a COP10 – Convenção de Diversidade Biológica prestes a acontecer, no Japão, em outubro, o tema se tornou o centro das atenções do mundo. Muito merecido, afinal, a biodiversidade envolve todos os seres vivos que habitam o nosso planeta – incluindo os seres humanos – e, num sistema interdependente como o nosso, o desaparecimento de uma espécie afeta a vida das demais. Entre as várias atitudes que podemos tomar para preservar essa riqueza biológica da qual tanto dependemos, está a redução do uso de sacolas plásticas em nosso dia-a-dia.

Segue dez motivos para você defender essa causa:

1. Os plásticos convencionais levam cerca de 400 anos para se decompor. Segundo um levantamento do Ministério do Meio Ambiente, de 2009, cada família brasileira descarta cerca de 40kg de plásticos por ano e mais de 80% dos plásticos são utilizados apenas 1 vez.

2. Por serem leves, os sacos plásticos voam com o vento para diversos locais e acabam poluindo não apenas as cidades, mas também nossos biomas, as florestas, rios, lagos e oceanos.

3. A sopa de lixo que flutua pelo oceano Pacífico contém mais de 100 milhões de toneladas, sendo que 90% são constituídos de detritos de plástico. Desse total, 80% vêm do continente.

4. Nos oceanos, as sacolas plásticas se arrebentam em pedaços menores e se tornam parte da cadeia alimentar de animais marinhos dos mais variados tamanhos. Ao ingerirmos esses animais, engolimos também resíduos de plástico que fazem mal à nossa saúde.

5. A ingestão de pedaços de sacolas plásticas já é uma das principais causas da mortes de tartarugas, que confundem o plástico com comida e têm seu aparelho digestivo obstruído. Estima-se, ainda, que em torno de 100 mil mamíferos e pássaros morram sufocados por ano por ingerirem sacos plásticos. Na Índia, cerca de 100 vacas morrem por dia por comerem sacolas plásticas misturadas a restos de alimentos.

6. Nas cidades, as sacolas descartadas de maneira incorreta entopem bueiros, provocando enchentes, que causam a morte de pessoas e animais domésticos, destroem plantas e árvores e até contribuem para que os peixes nadem para fora do leito de rios e morram.

7. Jogadas em um canto qualquer da cidade, as sacolinhas podem acumular água parada e permitir a proliferação do mosquito da dengue.

8. O plástico já é o segundo material mais comum no lixo municipal.Quando os aterros chegam à sua capacidade máxima, é preciso abrir outras áreas – que poderiam ser utilizadas para plantio de vegetação nativa, por exemplo – para o depósito de resíduos.

9. O material orgânico depositado em sacos plásticos demora mais para ser degradado e decomposto em nutrientes e minerais, que serão utilizados em outros processos biológicos.

10. Com a decomposição lenta dos resíduos orgânicos aprisionados nas sacolas plásticas, produz-se mais metano e CO2, que são liberados quando a sacola é rasgada e contribuem para a aceleração do aquecimento global.

Convencido? Então, sempre recusar uma sacolinha no supermercado, na farmácia, na padaria e onde mais te oferecerem uma. A biodiversidade agradece!


Especialistas consultados:
Prof. José Sabino, doutor em Ecologia pela Unicamp.

Fernanda Daltro, coord. técnica da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, do Ministério do Meio Ambiente.

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A Cotovia e os Sapos

(Adaptação livre de uma fábula chinesa)
Era uma vez uma sociedade de sapos que vivia no fundo de um poço escuro e profundo, do qual absolutamente nada se via do mundo exterior. Eram governados por um enorme Sapo-Chefe, um valentão que afirmava, sob pretextos um tanto dúbios, ser dono do poço e de tudo quanto nele saltava ou rastejava. O Sapo-Chefe jamais movia uma palha para se alimentar ou se manter, vivendo do trabalho de diversos sapos trabalhadores com os quais ele compartilhava o poço. Essas pobres criaturas passavam todas as horas de seus dias escuros e muitas de suas noites tenebrosas a se matar na umidade e no lodo para encontrar os vermes e os insetos que engordavam o Sapo-Chefe.
De vez em quando, uma cotovia excêntrica voava para dentro do poço (sabe Deus por quê!) e contava para os sapos as maravilhas que vira em suas viagens pelo imenso mundo lá fora. Falava do sol, da lua e das estrelas, das montanhas altaneiras, dos vales férteis e dos vastos mares, e ainda da delícia de explorar o espaço infinito.
Sempre que a cotovia chegava de visita, o Sapo-Chefe recomendava aos sapos trabalhadores que escutassem atentamente tudo o que o pássaro tinha para contar. “Ela lhes está falando”, explicava o Sapo-Chefe (que, de qualquer modo, era meio surdo e nunca sabia direito o que a cotovia estava dizendo; achava aquela ave esquisita e inteiramente maluca), “da terra feliz para onde vão todos os sapos bons...”
É possível que um dia os sapos trabalhadores se houvesses imbuído daquilo que o Sapo-
Chefe lhes dizia. Com o tempo, porém, haviam se tornado céticos em relação aos contos da carocinha e chegado à conclusão de que aquela cotovia tinha um parafuso a menos. Além disso, haviam sido convencidos por alguns sapos livre-pensadores de que aquele pássaro estava sendo usado pelo Sapo-Chefe para consolá-los e distraí-los com histórias das maravilhas que existem no céu para os que morrem. “E isso é mentira!”, coaxavam furiosamente os sapos trabalhadores.
Entretanto, havia entre eles um Sapo-Filósofo que formulara uma idéia nova e interessante a respeito da cotovia. “O que a cotovia diz não é exatamente uma mentira”, dizia ele. “Nem é loucura. Na verdade, ao falar dessa maneira esquisita, ela está se referindo ao lugar maravilhoso em que poderíamos transformar esse poço, se quiséssemos. Quando fala do sol e da lua, está se referindo às magníficas formas de iluminação moderna que poderíamos adotar para afugentar as trevas em que vivemos. Quando canta os céus altos, refere-se à saudável ventilação de que devíamos gozar, ao invés dos ares úmidos e fétidos a que nos acostumamos. Quando louva a embriaguez que vive ao lançar-se pelos céus, refere-se à delícia dos sentidos liberados que todos nós conheceríamos se não fôssemos obrigados a desperdiçar nossas vidas nesta labuta opressiva. E o que é mais importante: quando a cotovia enaltece o vôo altivo e
livre entre as estrelas, refere-se à liberdade que todos teremos quando nos livrarmos da opressão do Sapo-Chefe. Vêem? Não devemos desdenhar do pássaro. Em lugar disso, ele deve ser apreciado e louvado por nos proporcionar uma inspiração que nos livra do desespero.”
Graças ao Sapo-Filósofo, os sapos trabalhadores passaram a olhar a cotovia com afeição. Na verdade, quando chegou afinal a revolução (pois as revoluções sempre acabam vindo), os sapos trabalhadores até mesmo pintaram a imagem da cotovia em seus estandartes e marcharam para as barricadas fazendo o máximo que podiam para, com o seu coaxar, imitar-lhe o belo canto. Derrubado o Sapo-Chefe, o poço escuro e úmido tornou-se magnificamente iluminado e ventilado, transformando-se num lugar muito melhor para viver. Além disso, os sapos experimentaram um novo e gratificante lazer, acompanhado de muitas delícias dos sentidos – justamente como o Sapo-Filósofo havia previsto.
Entretanto, a cotovia continuou a visitar o poço, contando histórias do sol, da lua e das estrelas, de montanhas, vales e oceanos, e de esplêndidas aventuras que vivera nos céus. “Quem sabe – conjeturou o Sapo-Filósofo – se afinal de contas esse pássaro não seja mesmo louco? Já não temos necessidade alguma dessas canções enigmáticas. E, seja como for, é muito cansativo ter de escutar fantasias quando já perderam sua relevância social. Assim, um dia, os sapos conseguiram capturar a cotovia. Depois, empalharam-na e colocaram-na no recém-construído Museu Cívico (entrada gratuita...) em lugar de honra.

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Morre Wesley Duke Lee

Wesley Duke Lee <São Paulo, 21 de dezembro de 1931 - São Paulo, 12 de setembro de 2010> foi um pintor brasileiro. Neto de norte-americanos e portugueses, Wesley iniciou seus estudos no curso de desenho livre do MASP, em 1951. Estudou nos Estados Unidos até 1955, entrando em contato com a obra de Robert Rauschenberg e Jasper Johns. Voltando ao Brasil abandona a carreira publicitária e estuda pintura. Viaja a Paris, tendo aulas na Académie de la Grande Chaumière e o ateliê de Johnny Friedlaender. Voltando ao Brasil, em 1963, realiza um dos primeiros happenings do Brasil. Participou em 1966, da fundação do Grupo Rex, que perdurou até 1967. Morreu no domingo, dia 12 de setembro de 2010 aos 78 anos de idade.





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